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Cariús-CE: RENTABILIDADE Criação de peixe em cativeiro cresce no Centro-Sul do CE

Em várias cidades do interior, o sistema de criação tem se espalhado devido ao fácil manejo e retorno de investimento

Os produtores do município de Cariús estão animados e esperam a partir de novembro uma renda mensal em torno de R$ 400,00 FOTOS: HONÓRIO BARBOSA

Os produtores do município de Cariús estão animados e esperam a partir de novembro uma renda mensal em torno de R$ 400,00 FOTOS: HONÓRIO BARBOSA

Cariús. Na região Centro-Sul é crescente o número de projetos associativos de criação intensiva de peixes em tanques-redes. O exemplo mais recente está localizado neste Município, no Açude Muquém. O projeto de piscicultura foi implantado em junho passado, com 2.000 alevinos, que estão em fase de crescimento. Nos próximos cinco meses, quantidade igual será implantada de forma escalonada. Os produtores estão animados e esperam a partir de novembro uma renda mensal em torno de R$ 400,00.

O sistema de criação intensiva de peixes em tanques-rede ou gaiola é uma das formas que tem se espalhado em várias comunidades rurais devido ao fácil manejo e rápido retorno do investimento, além de ser uma alternativa viável para geração de emprego e aumento da renda da agricultura familiar no sertão cearense, que dispõe de oferta de açude público com vasto espelho d´água.

Formação

A Associação dos Aquicultores do Açude Muquém é formada por 18 produtores e foi criada há seis anos, após conclusão da barragem, por antigos trabalhadores rurais que viram as terras em que plantavam e criavam animais cobertas pela água. O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Ematerce e Instituto Agropolos, incentivou a implantação do projeto de piscicultura com o objetivo de ampliar a renda das famílias atingidas pela construção do reservatório. Na época, cada família recebeu uma casa e um lote de quatro hectares para o plantio de culturas de subsistências.

Instalação

Foram quase cinco anos de espera para obtenção de licenças ambientais de instalação e de funcionamento por parte da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). O projeto de piscicultura foi financiado pelo Banco do Nordeste no valor de R$ 305 mil, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Os recursos foram aplicados na construção de um galpão para depósito, escritório equipado com computador e impressora, uma unidade de tratamento do pescado e aquisição de 108 gaiolas e dos alevinos. A modalidade de financiamento prevê dois anos de carência e seis para pagamento. O Município de Cariús e o Instituto Agropolos são entidades parceiras. A Prefeitura contratou um zootecnista para orientar e acompanhar os pescadores. “O projeto está andando muito bem”, disse o presidente da Associação dos Aquicultores do Açude Muquém, Jucivan Lucena da Silva. “A nossa meta é que no primeiro ano de produção teremos uma renda mensal de pelo menos R$ 400,00″.

União

Os associados estão unidos e os mais idosos incentivam os jovens produtores. O agricultor José Pereira Lima fez a doação do terreno para instalação do projeto no entorno do Açude Muquém. Ele também é um dos atingidos pela construção da barragem. “Antes, eu só vivia da agricultura e da criação de um gadinho, mas hoje sou pescador artesanal e também associado do projeto de criação de tilápias”, contou. “Estou animado e acreditando que vai dar certo”.

O mais jovem dos produtores, Francisco Lucena, disse que também acredita na viabilidade do projeto. “Visitamos outros açudes na região e vimos que os criadores de tilápia estão satisfeitos”, lembrou. O próximo passo da associação é começar definir logo os compradores da produção inicial, mas o grupo já sonha com novos projetos. “Pretendemos fazer filé, bolinhas de peixe e outros produtos derivados para agregar valor ao pescado”, frisou Jucivan Lucena.

As tilápias criadas em cativeiro passam por um processo de reversão genética. Até o 10º dia, os alevinos têm a sexualidade indefinida e neste período recebem ração com hormônio masculino. São, portanto, transformadas em macho, porque adquirem maior crescimento e peso do que as fêmeas, adequando-se à finalidade comercial.

A espécie tailandesa, a partir de um melhoramento genético, foi a que melhor se adaptou à região Nordeste, cujas águas dos reservatórios têm temperatura elevada.

Fique por dentro
Alimentação

Os alevinos pesando um grama são colocados nos berçários e recebem durante o primeiro mês de nascimento ração em pó com 56% de proteína e o restante de vitamina. Isso é realizado a cada hora a partir das 7 horas da manhã até às 17 horas. São dez doses diárias.

Com esta alimentação, os alevinos alcançam o peso médio de 12 gramas. No fim do segundo mês, chegam a pesar 40 gramas e a alimentação é fornecida oito vezes por dia. A partir do terceiro mês entram na fase de engorda e recebem ração três vezes por dia, com 32 % de proteína, além de energético à base de milho e de óleo de peixe. Ao fim do ciclo, no sexto mês, devem pesar em média 750 gramas.

Expectativa

“O grupo está animado, unido, com perspectiva de produção a partir de novembro”

Charles Alves
Zootecnista

“A nossa meta tem como objetivo uma renda mensal de pelo menos R$ 400″

Jucivan Lucena
Presidente da Associação de Aquicultores

MAIS INFORMAÇÕES

Secretaria de Agricultura
Rua Raul Nogueira, S/N, Bairro Esplanada. Telefone: (88) 3514. 1219/ E-mail:prefeituracarius.ce@gmail.com.br

POR HONÓRIO BARBOSA

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