Editorial

EDITORIAL: A Desvalorização do Profissional Professor

Estou dizendo aos meus alunos que estudem bastante, mas não sejam professores. Na falta de outra profissão, estudar para ser gari já está de bom tamanho!

Aprendi, desde cedo, através dos ensinamentos de minha mãe que o mais importante na vida é os estudos. Conclui meus estudos, tendo feito, inclusive, duas faculdades e estou na segunda pós-graduação. Meus estudos me habilitaram a trabalhar na área de Educação. Trabalho, hoje como diretor de uma escola de ensino fundamental, e quando dá, ainda ministro umas aulas no período da noite para manter os compromissos financeiros adquiridos.

Ontem, por acaso, conversando com uma pessoa que estava de posse de um contracheque de um gari, ela fez-me tomar um susto imenso. A princípio, não quis acreditar que fosse verdade o que Lea falava, mas tomei coragem e verifiquei, eu mesmo, o valor expresso no contracheque desse profissional. Era mesmo verdade! Eu ganhava a mais que ele (o gari) R$ 300,00 (Trezentos reais)!

Com relação ao valor pago ao gari pelos seus serviços prestados vi que era bem justo o que ele recebia. E até podia ganhar mais! Afinal de contas ele merece. Muito embora ele tenha concluído apenas o ensino fundamental, mas o fato é que ele presta um serviço muito importante para nossa cidade. Imagine uma cidade toda suja! Quem poderia viver numa cidade poluída e cheia de doenças? Por essas e outras razões, o gari tem em sua função um reconhecimento digno, a altura de sua importância.

Mas por que na sociedade brasileira há todo esse descaso com o Profissional Professor? Não são merecedores? Diante desse problema crônico que é a desvalorização do professor, como não ter consequências desagradáveis e inferiores dentro do processo educacional?

Um profissional desvalorizado, humilhado, desrespeitado, não tem como motivar seus alunos, por exemplo. Quem está parado não pode mover outro que está precisando ser movido, assim como não se motiva quando o motivador está desmotivado.

Faz-se necessário que a sociedade como um todo, reveja as políticas públicas voltadas ao profissional do magistério com a máxima urgência. Os alunos de hoje não estão mais encontrando qualquer motivo para aventurar-se na carreira do magistério por falta de um melhor incentivo. Por outro lado, os professores estão deixando de ensinar e procurando “qualquer outra coisa que ganhe dinheiro” a fim de garantir o seu sustento. Por conta disso, hoje já temos como consequência, alguns profissionais substitutos atuando como professores nas escolas sem qualquer perfil de educador, fazendo com que a educação, cada vez mais, caminhe para um caos, onde os resultados já estão sendo sentidos direta ou indiretamente.

Poucos são os alunos que motivados, encontram razão para assistir uma aula com prazer. Esse fato tem projetado na sociedade, desocupados, incapazes e marginais, no sentido real da palavra. Além de que correrão o risco ainda de passar a vida toda às margens da sociedade produtiva. Ou será que o governo federal está pensando que esses benefícios doados serão o suficiente para sustentar para sempre os milhares de inabilitados que o sistema produz a cada dia?

Para finalizar a pessoa com quem eu falava ainda disse; “e ainda tem uma cesta básica que ele (o gari) recebe em casa! E eu lembrei que ainda tenho uns trabalhos para corrigir e preparar para as aulas seguintes também em casa.

Apesar do desabafo como professor é como gestor que essa preocupação tem encontrado um maior sentido, pois não é apenas o meu problema, mas de todos os que fazem a educação e daqueles que dela se constituem, ou seja, todos os cidadãos brasileiros!

Por: Vc na Cetama / Elionardo Lima

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